domingo, 20 de dezembro de 2009

A festa

Um a um foram chegando, e eu somando daqui a quantos minutos você iria chegar. Mais ou menos 25 pessoas ou menos estavam lá e eu só precisando de uma. Eu tento não pensar em amor mais acabei de crer só agora a achar que só eu mesmo que tenho coração. Todos agora estão seguindo a modinha dos novos tempos. Agente se conhece,transa, manda um beijo, tchau e quando tiver vontade e se ele tiver seu número ele te liga! É, isso é bem legal pra quem sofreu demais por um amor que do nada muda de pensamento só pelo erro de uma pessoa; é realmente isso é legal. Lógicamente ninguém ama, consequentemente não sofre e é feliz! falta muuuuito pra eu me acostumar com isso. Não sei porque sou assim. Eu tenho um limite e quando eu coloco uma coisa na cabeça é aquilo e pronto. Se estiver disposta do nada,ou é ali agora ou volto a minha opnião de antes. Acabo de crer que amor mesmo só dos meus pais..e nem pais.. só da minha mãe. Calma, eu sou amada, tá vendo? Não preciso mais ficar em casa de pijama assistindo 'beijomeliga', eu sou amada. É que dá uma preguiça de existir… fico feliz porque estou viva, no meio da confusão que é comemorar ter amigos, comemorar o vestido novo, comemorar que passei de série, amigos e roupa nova, comemorar que fiz progressiva na franja, comemorar que não sou um alien e consigo socializar, comemorar que existo dentro de uma comunidade que me aceita e até sai de casa pra tentar achar uma ruazinha difícil pra caramba comigo. Já sorri em todas as fotos, esgotei minhas risadas, desfilei abraços, toquei em muita gente fiz bem um papel de “olha que legal, estou aqui e eu continuo achando que vale a pena estar aqui”. Um a um vão embora, e eu somando os minutos que me restam pra chegar até você. Sobram os loucos e suas insônias. Não sobra nenhuma latinha cheia, um banco solitário formando uma rodinha animada, muitas piranhagem e eu me pergunto eu não sou igual a elas, não era pra eu estar aqui. Só que eu tinha só um motivo que me prendia naquela festa que de tão chata pra mim estava a melhor só porque você me faz rir. Mas eu não demostro que você me alegra, você é vivo e eu demostro que sou chata, criança e 'frígida' não só porque eu queira parecer fácil,certamente eu também não quero me fazer de fácil. É mais porque eu não quero jogar o seu jogo dos tempos modernos.Por mais que não pareça eu sou diferente das demais. Nao é só porque eu te quis porque uso um vestido curto,e como dizem sou 'gostosa' que eu sou igual a elas e você tem que me tratar igual a elas. Como sempre sobrou eu, novamente. A vida, a noite, as festas, tudo continua igual. O mesmo cheiro de cigarro no cabelo. O mesmo ânimo em ir pra casa sem as pessoas que foram comigo,porque elas são muito mais espertas do que eu e fazem o que os tempos modernos mandam, a mesma alegria em comemorar, a mesma festa em se encontrar. Mas ninguém sabe exatamente ao que pertence, o que comemora e muito menos o que encontra. Vou para casa, escuto minhas músicas preferidas e sigo em frente. Carrego cada momento que tive nessa festa numa sacolinha rosa, mas dentro do meu coração é sempre esse saco furado vazio. Por mais que todas as auto-ajudas do universo e todos os amigos experientes do planeta me digam que preciso definitivamente não precisar de você, alguma coisa grita aqui dentro que, por mais feliz que eu seja, a festa é sempre pela metade, sempre porque eu não consigo ser como as minhas amigas. É você quem eu sempre busco com meu mal humor, porque sem perceber você me alegra só não caio na gargalhada na sua frente porque algo dentro de mim me barra, acho que de repente eu posso mostrar que eu estou rindo porque quero transar com você e não é isso que eu quero passar apesar de querer muito muito muito, eu escondo o tesão que eu sinto quando você me beija, quando você me aperta.. por não querer peder você. Eu quero você sempre.. eu vou querer você sempre, com a minha perdição humana em festejar porque é preciso festejar, com a minha solidão cansada de se enganar. Não agüento mais os mesmos papos, os mesmos cheiros, as mesmas gírias, os mesmos erros, a volta por cima, o salto alto, o queixo empinado, o peito projetado pra frente. Não agüento mais fingir com toda a força do mundo que tudo bem festejar sem saber quem é você. Eu não acredito mais em ficar em silêncio até que tudo se acalme, em dormir até tarde, na nova proposta, em ser dondoca, em fazer progressiva, em fazer boxe, em fazer brigadeiro, em ser batalhadora, em ser fashion, em não ser nada. Mas eu continuo acreditando na gente, eu continuo acreditando que tudo sem você é distração e tudo com você é vida. Como eu queria agora ir pra sua casa, deitar na sua cama, ouvir a sua voz, esquentar meu pé na sua batata da perna, olhar pra você e dessa vez rir, gargalhar como eu sempre tive vontade. Como eu queria saber realmente seu nome, seu cheiro, sua rua. Assim como um dia, um samba saiu procurando alguém, este texto tem a missão de sair em sua busca. Eu não escrevo pra chamar atenção,por esporte, pretensão ou inteligência. Eu escrevo porque eu sei que é assim que vou te explicar. Eu escrevo porque não posso mais agüentar que a festa acabe.

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